A minha melhor escrita acontece quando não estou a escrever/My best writing happens when I am not writing
Aquilo que estou a escrever está sempre guardado num canto do meu cérebro, como uma espécie de gaveta entreaberta para dentro da qual eu, de vez em quando, tenho de espreitar, mesmo que não esteja sentada à frente do meu computador portátil como estou agora. Dizem que das melhores formas de ultrapassar um bloqueio criativo é parar de insistir em escrever e ir dar uma volta, ouvir música, ler um livro, dormir, fazer qualquer outra coisa que não seja escrever.
Não estou com um bloqueio criativo. Tenho uma ideia de como quero que a história se desenvolva e, mesmo assim, sinto que tenho as melhores ideias quando não estou sequer a pensar na história. Às vezes escrevo depois do trabalho, antes de ir dormir. Chega a uma certa hora e desligo o computador, lavo os dentes e vou-me deitar. Fecho os olhos. Naquele momento em que estou prestes a adormecer, tchanan! Uma ideia para um capítulo que estou a escrever, ou que vou escrever em breve, ou até apenas algo sobre as personagens que ainda eu também estou a conhecer. Ainda bem que as notas do telemóvel existem. Ensonada, abro a aplicação e escrevo (com imensos erros) a ideia que tive e lá volto a dormir.
Ultimamente surgiu um novo problema. Tive uma ideia de como quero escrever a história, do ritmo que lhe quero dar, mas não sei bem, na prática como fazer. Em teoria é muito giro. Não sei como fazer acontecer na página em branco - ainda. Visto este ser a última publicação do ano, talvez seja legítimo e apropriado dizer que esse será um problema para 2026. Sei que é costume não se partilhar, diz-se que dá azar, mas deixo aqui que é possível que uma das minhas resoluções de Ano Novo seja "arranjar maneira de dar a um texto o ritmo das ondas do mar" porque faz sentido para o enredo mas eu não faço a mais pálida ideia de como isso se transpõe para a escrita. Será a próxima aprendizagem.
Tenho no Kobo um livro sobre estrutura de texto e escrita que já comecei a ler (mas pouco) a ver se há alguma informação lá que me ajude a transformar aquilo que neste momento é uma ideia muito geral, vulgo anglo-saxónico, "vibes", em algo concreto que eu possa escrever. Quanto mais penso nisto, porém, mais me apercebo que a resposta mais óbvia seja "tens de acabar o raio do rascunho primeiro, ter a história no papel, só depois te podes preocupar com preciosismos e mariquices como o ritmo do texto", só que desta vez isso está difícil de aceitar.
Ainda mal comecei o manuscrito. Tem 20 páginas, três capítulos. A preocupação agora, acima de tudo, é pôr a história no papel, perceber como ela se desenvolve de forma a chegar ao final para o qual já tenho uma ideia (embora ainda haja muitas questões sem resposta). Plano para 2026: terminá-lo. Ainda outro plano para 2026: arranjar forma de dar ao texto o ritmo e a forma que acho que faz sentido. Se no processo aprender uma coisa nova (o que me parece provável), ainda melhor!
Bom ano de leituras e de escrita para todos!
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What I am writing is always on my mind, hidden in a corner of my brain, like a drawer ajar, into which I have to look sometimes, even if I'm not sitting in front of my laptop like right now. People say the best ways to get over a creative block is to stop writng, go for a walk, listen to music, read a book, sleep, do literally anything else but write.
I do not have a creative block right now. Not really. I have a sort of idea of how I want the story to progress and yet, somehow, the most clear ideas come to me when I am not even thinking about the story. Sometimes I write after work, before I go to sleep. Then, I turn off my laptop, brush my teeth, go to bed. I close my eyes. Then, in that moment when I'm about to fall asleep, BAM! An idea for a chapter I am writing, or that I will write soon, or even just something about the characters I am still getting to know. Praise the notes App on my phone! Sleepy, I open it, type (with a lot of mistakes) the idea, and I go back to sleep.
Lately I have been having a new problem. I had an idea to give the story a peculiar rhythm, I just don't know how to do it. In theory, sounds great, super fun. In practice, I have no idea how to translate it to the page. Yet. This is the last post of this year so maybe it's legitimate, even appropriate, to say that's going to be a 2026 problem. I know traditionally we don't share resolutions, they say it's bad luck, but it's possible one of my new year's resolutions is going to be "figure out a way to convey in text the rhythm of the waves of the sea" because it makes sense for the plot. I just have no idea of how I can make that in writing. It's a next step in learning.
I have a book on my Kobo about writing and structure which I have started to read (not a lot) to see if there are any tools that can help me. I need to transform what is now a very general idea, "vibes" really, into something concrete I can actually write. The more I think about it, the more I know I have to come to terms with the fact that the answer is simply "you have to finish the damn draft first, have a whole story on paper, to then worry about details like rhythm", but this time that is so hard to accept.
I have barely started the draft. It's currently 20 pages, three chapters. The main concern right now is, mostly, understand how the story should develop to get to the ending I already have a general idea of (even though I still have a lot of unanswered questions). Plan for 2026: finish it. Another plan for 2026: learn how to make texts sound like waves in a way that makes sense. If in the process I really learn something new (which seems likely), even better!
Happy new year full of reading and writing, everyone!

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